segunda-feira, agosto 22, 2005
quinta-feira, maio 19, 2005
sexta-feira, abril 22, 2005
Dobrada à moda do Porto
Fernando Pessoa
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Feijoada Fria (homenagem a Fernando Pessoa)
Lázaro Curvêlo Chaves
Noite dessas, numa birosca virtual,
Serviram-me o amor como feijoada fria.
Argumentei com Jarbas, o mordomo virtual:
“Preferia feijoada quente,
Que a feijoada ( prato brasileiro típico) nunca se come fria.
Ríspido – talvez muito ocupado – retrucou:
“É o que a Casa oferece!”
(engraçado chamar aquela birosca de “Casa”, assim com inicial maiúscula...)
Não sou de me queixar.
Assinei a nota do pindura pra pagar no fim do mês e saí pensativo...
“O que significaria tudo aquilo?”
Não tenho a menor idéia, só sei que foi comigo!
Sei também que, quando moleque,
o dono da bola trocava as regras do futebol
a toda a hora...
E sei também da enorme frustração que sinto hoje...
De tudo isto estou farto de saber,
Só não entendo mesmo uma coisa:
Se eu pedi clara e nitidamente “amor”,
Como é que o Jarbas me trouxe “feijoada fria?”
Não há como digerir uma feijoada rançosa e gelada...
Não sou de me queixar, vós que conheceis o íntimo de minh’alma
Bem o sabeis,
Mas estava fria!
Não dá pra comer feijoada fria.
Não me queixei, vou pagar religiosamente a conta, como sempre faço,
Mas estava fria.
Não é prato que se coma frio, mas veio frio...
Cultura Brasileira
Duplipensar
PSTU
____O teu corpo é luz no quarto sombrio e a tua alma acende, brilhando, o meu coração magoado.
____O meu sentimento etéreo não é vão em significado e o meu medo é de cair sem rede como tantas outras vezes para saber por fim que todo o redemoinho de vida de vida e sensação que me enredou não mais era que um comboio fantasma de ilusão cor-de-rosa e fim de linha negro.
____And I know that if you fail on me now I will never again be able to feel real love…
Qual cobaia imarcescível.
A liberdade é uma promessa, um embuste, uma impostura, um engabelo, um embeleco...
O homem é livre, dizem os eruditos...
O homem existe, pelo que não é livre.
Tudo é regra neste orbe.
Tudo alinha e vigia.
A liberdade não existe.

____Só posso escrever.

quinta-feira, abril 21, 2005
quarta-feira, abril 20, 2005
segunda-feira, abril 18, 2005
| quiet |
Can I keep it quiet?
Will I drive gently,
With my heart as a trail?
May someone grant me thrust?
Merely a hand or just any sad limb…
I know things asleep in the sun,
Even though we slumber at the moon
And catnap at life…

Ao longe, o estremunho visceral de uns poucos estimula muitos, esvaziando as almas ricas de pobre razão, e dilacera o meu descanso.
Todos os outros dormem e este é, agora, o meu mundo e
____________________________________________só eu sou seu.
Da água vem um som de silêncio que me conforta e no ar sente-se um aroma que embriaga. O luar ilumina estas palavras e aquece os corações.
A noite é minha e eu sou seu.
__________________________Ilha do Ermal, 26 de Agosto de 2001
_____________________(depois de Moonspell e antes dos Xutos...)

R.I.P.R.A.T.M.
“Born without a face!”
Um espelho…
Um homem sem abrigo…
Oh, ambição! Sim!
Na aventura há uma névoa…
Expectativas paternais…
Tens que ser raro…
E a tua compleição ingénua!...
Na aventura há uma névoa….
Que desaparece quando a razão descansa…
Interesse em ti…
Parte Sul.
Querem-me cansar
Saiam-me da frente
Em cada casa há um porco
e um vestido
Descarrega esse lodo em caixotes. Um.
A sarjeta é crua.
Já estamos mortos.
Já estamos prontos.
Todos por um
E
Não simulem
Júbilo universal
Querem-me cansar
Saiam-me da frente
Já estamos mortos
“I wanna be Jackie Onassis
I wanna wear a pair of dark sunglasses
I wanna be Jackie oh, oh, oh, oh, please!
Don’t die!”
Querem-me cansar?
Já estamos mortos.
segunda-feira, março 21, 2005
Falando de Amor , Tom Jobim
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção
Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor
Chora flauta, chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor
Quando passas, tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu me esqueço até do futebol
Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti meu coracao
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração
terça-feira, fevereiro 22, 2005
enchantress.net/poetry

Silvery. Sparkly. Sticky.
_______A spider web!
__________Yes, that's it!
Wait -- something else...
_______Small. Struggling. Significant.
__________A fly
__________caught up in the web.
______Searching.
______A way out.
Just like life...

"Começa a ir ser dia,
O céu negro começa,
Numa menor negrura
Da sua noite escura,
A Ter uma cor fria
Onde a negrura cessa."
______Fernando Pessoa
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
segunda-feira, janeiro 24, 2005
Desculpa
Desculpa-me se me desconcertas
Desculpa-me se me arrebatas
Desculpa que me tomes, iludes e deixes.
Perdoa a minha credulidade e
Perdoa que,
Todas as vezes,
Incrédulo,
Te veja partir,
Impotente,
Sequer,
Para me irritar.
E magoas-me…
E, por isso, peço-te desculpa…
O teu corpo é luz no quarto sombrio e a tua alma acende, brilhando, o meu coração magoado.
O meu sentimento etéreo não é vão em significado e o meu medo é de cair sem rede como tantas outras vezes para saber por fim que todo o redemoinho de vida de vida e sensação que me enredou não mais era que um comboio fantasma de ilusão cor-de-rosa e fim de linha negro.
And I know that if you fail on me now I will never again be able to feel real love…
segunda-feira, dezembro 20, 2004
O teu abraço é frio
E eu claustrofóbico
A luz do luar confunde-me
E o som do silêncio
Ensurdece-me em assombro
A tua brisa gélida
Reconforta um coração
Que de calor não pode viver
Só no teu seio me sinto ajustado
Porque a minha sombra é dissimulada
Pela treva do vácuo
E não é mácula
Mas parte.
Only to find
There's nothing to choose
When you search
IN vain
For some sense of purpose
When worthwhile
Sound like
A word of comfort
You get tired of searching
And so you learn to find.
E o meu pesar é auto-infligido
O teu acendrar usurpador
Consumiu-me em fictícia benesse
A minha complacência esgotou-me
E o teu coração sentiu a gelidez
O desalento instalou-se e, sendo mútuo,
Corrompeu-nos e conspurcou o nosso mundo
O romance abandonou-me e agora
Todo eu sou pedra
Rebirth
I dream of youth.
Starlight shows in the gloom
But only for a second.
I long for absolution.
I pray for release.
Half-empty vases
Torment my inner being,
Foment the truth
That never was
And never will
For as long as there's a gulp of air in my lungs.
My will is plastic now,
My heart unbreakable.
All illness,
oNCE HERE TO STAY,
iS NOW A BLUR,
a DISTANT MEMORY.
aNNOYING Noise
Crawls through my sleep
Infests my dreams,
controls my actions...
And no one will recall.
I promise
Here and now
This is the last time
I'll abandon myself.
OUtside in the cold
A flower blossoms
Blooms
And marvels all still life around.
And stressed me open
Instead of a butterfly
I found only space,
Yet to be filled.
In essence
Existence became nothing
Up could be down
Black might be white
All truth may well unfold as a lie.
Full sheets of empty canvas.
Waiting for that painter
That creating astonishment
All the bliss and grievance in a bottle.
Rewind to re-record,
Repair mistakes,
Twist me around,
Turn me inside out,
Auction my heart and soul
But keep complete control
To keep dreaming I'm alive.
Castaway
Been left outside.
Nobody knows.
Nobody cares.
I'm unaligned
I insurrect
Against all patterns
I thought for honesty
And still I hope
Marching alone
That some day
All the spiritual casualties
Will have a meaning
Nobody knows my way
Nobody tells me what to do
No colour, no gods, no sin
I'm unaligned...
When all the angels
Will hold on to their wings
Before falling away
Mr Angel
This is my advice to you
It's a warning
I urge you, sir, to take some action.
For all us mortals,
Save yourself,
To keep our hope
In something better.
Cause when an angel
Can't fly away
And so be free
There's sure no hope for the rest of us.









