A maN_OBRA: abril 2005

sexta-feira, abril 22, 2005

Dobrada à moda do Porto
Fernando Pessoa

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.


Feijoada Fria (homenagem a Fernando Pessoa)
Lázaro Curvêlo Chaves


Noite dessas, numa birosca virtual,
Serviram-me o amor como feijoada fria.
Argumentei com Jarbas, o mordomo virtual:
“Preferia feijoada quente,
Que a feijoada ( prato brasileiro típico) nunca se come fria.

Ríspido – talvez muito ocupado – retrucou:
“É o que a Casa oferece!”
(engraçado chamar aquela birosca de “Casa”, assim com inicial maiúscula...)
Não sou de me queixar.
Assinei a nota do pindura pra pagar no fim do mês e saí pensativo...

“O que significaria tudo aquilo?”
Não tenho a menor idéia, só sei que foi comigo!
Sei também que, quando moleque,
o dono da bola trocava as regras do futebol
a toda a hora...
E sei também da enorme frustração que sinto hoje...

De tudo isto estou farto de saber,
Só não entendo mesmo uma coisa:
Se eu pedi clara e nitidamente “amor”,
Como é que o Jarbas me trouxe “feijoada fria?”

Não há como digerir uma feijoada rançosa e gelada...
Não sou de me queixar, vós que conheceis o íntimo de minh’alma
Bem o sabeis,
Mas estava fria!
Não dá pra comer feijoada fria.
Não me queixei, vou pagar religiosamente a conta, como sempre faço,
Mas estava fria.
Não é prato que se coma frio, mas veio frio...

Cultura Brasileira

Duplipensar

PSTU

____A tua silhueta é clara contra o véu da noite na janela.
____O teu corpo é luz no quarto sombrio e a tua alma acende, brilhando, o meu coração magoado.
____O meu sentimento etéreo não é vão em significado e o meu medo é de cair sem rede como tantas outras vezes para saber por fim que todo o redemoinho de vida de vida e sensação que me enredou não mais era que um comboio fantasma de ilusão cor-de-rosa e fim de linha negro.
____And I know that if you fail on me now I will never again be able to feel real love…
Sou refém de uma existência,
Qual cobaia imarcescível.

A liberdade é uma promessa, um embuste, uma impostura, um engabelo, um embeleco...
O homem é livre, dizem os eruditos...

O homem existe, pelo que não é livre.
Tudo é regra neste orbe.

Tudo alinha e vigia.
A liberdade não existe.
Encarem-no.

____É o vazio que se apodera de mim agora. É o nada que tudo absorve e tritura até à vaporização... Não tenho ideias, não tenho princípios, partidos, moral, religião... Não sei falar, não sei sentir, não sei ver, não sei cheirar, não quero viver, só quero escrever.
____Só posso escrever.



quinta-feira, abril 21, 2005

Invicta Cidade

quarta-feira, abril 20, 2005

the desolate i




Bright Eyes




Corrina Repp




arco




Nanang Tatang





segunda-feira, abril 18, 2005

| quiet |

In a world of bewilderment
Can I keep it quiet?

Will I drive gently,
With my heart as a trail?

May someone grant me thrust?

Merely a hand or just any sad limb…

I know things asleep in the sun,
Even though we slumber at the moon
And catnap at life…



Hoje, a noite é quente. A brisa que bafeja os corpos escorre na pele suada e estremece com as árvores.
Ao longe, o estremunho visceral de uns poucos estimula muitos, esvaziando as almas ricas de pobre razão, e dilacera o meu descanso.
Todos os outros dormem e este é, agora, o meu mundo e
____________________________________________só eu sou seu.
Da água vem um som de silêncio que me conforta e no ar sente-se um aroma que embriaga. O luar ilumina estas palavras e aquece os corações.
A noite é minha e eu sou seu.

_________________________
_Ilha do Ermal, 26 de Agosto de 2001
_____________________(depois de Moonspell e antes dos Xutos...)



R.I.P.R.A.T.M.

Não tenho cartão, logo, não tenho alma.
“Born without a face!”


Um espelho…
Um homem sem abrigo…
Oh, ambição! Sim!

Na aventura há uma névoa…

Expectativas paternais…
Tens que ser raro…
E a tua compleição ingénua!...

Na aventura há uma névoa….
Que desaparece quando a razão descansa…

Interesse em ti…

Parte Sul.


Querem-me cansar
Saiam-me da frente
Em cada casa há um porco
e um vestido
Descarrega esse lodo em caixotes. Um.
A sarjeta é crua.
Já estamos mortos.
Já estamos prontos.

Todos por um
E
Não simulem
Júbilo universal
Querem-me cansar
Saiam-me da frente
Já estamos mortos

“I wanna be Jackie Onassis
I wanna wear a pair of dark sunglasses
I wanna be Jackie oh, oh, oh, oh, please!
Don’t die!”

Querem-me cansar?
Já estamos mortos.
i am a scenester!

How indie are you? test by ridethefader
You are so indie it hurts. You hang out with the coolest people in your city. It doesn't even bother you that none of them know your name. You know lots of bands personally, you know a couple of guys from We Hate The Mainstream Records, and you blag your way into getting almost everything for free. That fanzine you write gives you extra kudos. You probably don't even care that non-scenesters think you're a pretentious fuck.
avantegarde
You're Avante Garde Indie. You listen to abstract
music like free-jazz and Krautrock. You drink
too much coffee and you scare the fuck out of
the rest of us. We're afraid to call you
pretentious because we know that we all just
don't get it. There are few of you out there,
and most of you will probably die soon.

You Know Yer Indie. Let's Sub-Categorize.
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