A maN_OBRA: setembro 2004

quinta-feira, setembro 09, 2004

Os índios da meia-praia sonharam a sociedade idílica de olhos no horizonte.
Os índios suaram, choraram, morreram pela sua causa.
Os índios derrotaram os vampiros pela força e vontade.
Mas os morcegos insurgem-se das trevas e conspurcam o sonho.
O homem deve ser livre mas nem sempre é digno da liberdade.



"Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranquilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objecto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo facto de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio..."

"Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço
De Montegordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré
Quando os teus olhos tropeçam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe vê peças de oiro
Caindo na lota
Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo
Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia
Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado
Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Quem diz o contrário é tolo
E se a má língua não cessa
Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos índios da Meia-Praia
Foi sempre tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas
Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas
Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua
Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz
Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrário é tolo
E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada"

Erm(a/m)al

A imagem dum rio,
De pássaros, vacas e relva,
Atiça o pavio
Na acidez da pungente selva.

O calor inspira
__________mas cega
________________se o coração não sente

Se inflamam os corpos
De mentes indizíveis, pois
Nem se apercebem...
Dementes invisíveis, pois.

O momento acalenta
______________mas a gélida dilação
____________________________aguarda uma deixa

Mas o que há é bom
E por enquanto não se esgota.
Embriagados estão:
Instinto, inspiração que brota.

De que vale a razão
______________se o que faz a vida
___________________________são os pequenos momentos

Palavras não ditas
De vidas que, de atormentadas,
Dispensam visitas.
Cuidado! Há encruzilhadas!...

Ponho fim ao momento
________________impotente para a vida

_______________________________que me mata em passo lento

segunda-feira, setembro 06, 2004

Há um rio em cada terra
Há um pico em cada cordilheira
Há expoentes de encanto em pessoas que olho e amo

Há limiares de loucura
Linhas ténues que nos separam
E olhares indigentes que procuram a nossa mão

Há correntes a ligar-nos
Há correntes a reprimir-nos
São estas correntes que nos mantêm à tona

Aquiesço e satisfaço qualquer moral que nos governa
i am a scenester!

How indie are you? test by ridethefader
You are so indie it hurts. You hang out with the coolest people in your city. It doesn't even bother you that none of them know your name. You know lots of bands personally, you know a couple of guys from We Hate The Mainstream Records, and you blag your way into getting almost everything for free. That fanzine you write gives you extra kudos. You probably don't even care that non-scenesters think you're a pretentious fuck.
avantegarde
You're Avante Garde Indie. You listen to abstract
music like free-jazz and Krautrock. You drink
too much coffee and you scare the fuck out of
the rest of us. We're afraid to call you
pretentious because we know that we all just
don't get it. There are few of you out there,
and most of you will probably die soon.

You Know Yer Indie. Let's Sub-Categorize.
brought to you by Quizilla